mapa de uma ilha

se não me engano há uma lei que diz isto: as pessoas deslocam-se em sentido inverso à rotação da terra. como outras leis que determinam uma vocação contrária à força primordial. consideremos pois, que tudo o que lhes resiste é mais forte. se saltamos, mesmo que por breve instante, tão breve que nem se possa regular, seria extraordinário que o mundo se deslocasse de acordo por baixo dos nossos pés. é talvez assim que se misturam os líquidos, os reflexos das nuvens sobre os espelhos de água, a guerra com a vontade da trégua e a calma com a morte quando os alísios decidem descansar. e as ideias também, essas coisas inúteis que viajam nos livros, em bojos de navios, clandestinamente, nas intermitências de luz que passam por baixo dos oceanos. se tudo ficasse quieto, à guisa das fundações das casas de barro, na sombra dos rios que secam, como as pessoas que envelheceram na puberdade, não ouviríamos o roçagar do silêncio contido nem falaríamos soltando as mãos no ar. se não me engano – desta vez -, as leis que vigoram pertencem a peregrinos que as descreveram primordialmente no final de uma circunavegação bem planeada. vi-os regressar e entrar pela porta de trás. a da frente estava fechada pelo avesso.

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