chuva de verão

ontem torrámos ao sol e hoje temos uma inesperada chuva de verão. uma coisa miudinha que pagamos com a economia do descanso. a desusada sesta antes do meio dia, mãos inquietas e fundos de armários, jogos traquinas carcomidos pelos bichos. deixámos a chave sobre a mesinha e os pneus assobiando na calçada. o asfalto está morno e peganhento. uma mãe chama de dentro para fora, mas os verões passam e as crianças partiram com eles. sobram ecos e vens à janela fechar a portada. enxotar a luz e serenar a casa. pegas no livro que trouxeste para a praia e deixas cair a cabeça para trás, de espanto. os pés ficam irremediavelmente frios e há uma luzinha que se acende e apaga no horizonte. perguntas “já está?” e não ouço nada. tomo-te o pulso e respondo “já.” acreditas em mim, fechas os olhos e ris-te muito. “queria estar agora na Cochichina.” que parvoíce! lá estão 35 graus e o céu está branco de tanta humidade. “queria”, repetes como um mantra. sabes que a tarde virá sem dizer nada.

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