omissão

até que sinta falta da cadeia quebrada desses anos
dos beijos e dos cheiros das outras coisas que nem recordo
do chão do mar
que era tão claro e tão profundo
e do feitiço das ondas em arremesso sobre a praia
da noite selvagem e escura
com um fiapo da nossa canção sobre o ar
das tuas mãos de sal
quebradas no fôlego das fogueiras
e da dança do fogo
devoradora da nossa vaidade

até que sinta falta
da urgência desses anos
desavindos, idos, mortificados
do livro sobre o qual juraste
aberto na página da perda e da quimera
da tua pele de cordeiro
da alvura do entardecer
e do grito de cristal

até que sinta falta
da tua morada
e do teu esquecimento.

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