rotação I

sou um ponto móvel
nem um lugar, nem um tempo (in)exato
nem uma mutação
nem perene nem constante
imutável na intrínseca deslocação
tal como a casa
o lugar não lugar que habitei
no instante em que foi casa
a casa que fui e que volta sempre
onde posso viver para sempre
autoctone ou estranho
estranho inter pares de mim
estranho como os demais
demasiado estranho para mim
sou a cidade que transita
que trespassa a imobilidade
tão imobiliária como os resíduos 
atómicos, nucleares
mascarados pelo tempo e pelo espaço
hipo-simplificado-hiper
do desenraizamento aéreo
pautado pela negação de si
do ponto imóvel que fui
antes da rotação impossível
sobre o eixo possível de mim.

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