tudo o que não se diz

submeto-te daqui em diante ao silêncio. silêncio que se solta dentro do crânio como uma incontrolável fera devoradora de meninges, rondando em círculos, alucinada, pisando a papa escarlate do cérebro, empaladora de carne e ossos, esgravatando para sair e se libertar da morte e do tumultuo, já exangue mas tenaz. submeto-te ao silêncio detona cabeças que se desencarcera no mundo como um choro sem tamanho. e que fiques, assim, sem tampo, a ver o céu diretamente. deita fora os olhos! silêncio misturado com o silêncio de todos os homens de cabeça rebentada. incapazes cada um e cada qual de emitir um som que seja mas aptos a ouvir em pleno o cosmos pela primeira vez. são estes os eleitos, guardiões do som da tempestade gravado a ferro e fogo na língua morta.

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