o artista que não conseguiu explicar

o artista que não conseguiu explicar a arte, nem sequer a uma lebre morta, cobriu a cabeça de mel e a cara com de folha de ouro. trazia no colete uma faca, que ninguém viu, e todas as palavras que disse talvez se encontrem, ainda, no dicionário. à maneira de Jung dividiu a humanidade em doze, até ao último átomo. e continuou a dividi-la até nada lhe acrescentar, como tantos. decompor, ou esconder a cara, não engrandece e muito menos revela. é tudo pois o grande mistério. o todo como repetição do avultado conjunto das partes. a inutilidade de tapar a cara. de nada servir atirar a língua ao majestoso néctar das abelhas…. se a lebre dorme [ou mais do que isso].

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