gnómon

convém entender, o arquiteto comanda a mão que domina a linha curva – a linha reta, insensatamente, a mais fácil de desenhar, não existe na natureza (e se pensas no horizonte, enganas-te) -, e dominar a curvatura das coisas – considera o peso da vida [como dobra], os calos na pele – curvos também -, o redondo do coração quando bate – exige talento, disciplina e afinco. e uma mão livre que voa raso como a andorinha que se nutre, gestos soltos, dedos alados, pois, e fugazes, capazes de agir na extremidade do pensamento. o arquiteto é esse capaz de sonhar a ponte de vidro, a escada que cai para o céu, o jardim que encontras sempre em cada dobra da cidade. o mesmo que dorme com as mãos em concha ao lado do corpo, sobre a cama plana e desconcertante. o que não limpa o carvão da fronte nem pousa a roupa com cuidado no chão e afasta a régua fechando os olhos à sua lógica linear. entende, pois, o alcance e a justeza da sua cegueira e sobretudo como o fez, vazando as órbitas na esfera do sol.

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